Fonte antes de enfeite
Cada episódio é atribuído ao autor que o conta. Se não há fonte, não há episódio.
Mitos gregos anotados entre ilhas e tempestades
Sobre o diário
Nós, os editores do Mar de Ulisses, lemos mitos gregos como quem anota uma viagem: com data, lugar, vento e a honestidade de dizer quando a carta não alcança.

A Grécia antiga era um mundo de ilhas, cabos e travessias curtas. As histórias circulavam com os marinheiros, os mercadores e os poetas que iam de festa em festa, e quase todas guardam o sal dessa circulação. A Odisseia é o modelo óbvio, mas não o único: até mitos de campo e de montanha, como os de Deméter ou de Pã, têm praias, portos e naufrágios escondidos nas margens.
Escolhemos a forma do diário de bordo porque ela obriga a ser concreto. Um registro de viagem diz onde se está, de onde se veio e o que se viu. É assim que tentamos contar cada mito: com o cenário, as personagens, as fontes que o narram e as rotas que ele percorreu até chegar a nós.
Cada registro parte dos textos antigos. Antes de escrever, verificamos quem conta cada episódio — Homero, Hesíodo, um hino, um trágico, Ovídio, Apuleio —, em que época e com que diferenças em relação aos outros. Quando as versões discordam, mostramos a discordância em vez de escolher a mais bonita e calar as demais.
Não inventamos detalhes para preencher lacunas. Se não sabemos onde ficava uma ilha, ou o que acontecia dentro de um santuário, dizemos isso. As citações que aparecem nos textos são traduções nossas, feitas a partir das edições antigas, e vêm sempre marcadas como tal.
O mapa das viagens é a parte mais tentadora e a mais traiçoeira do site. Muitos lugares míticos ganharam endereço só séculos depois dos poemas, por obra de geógrafos, comentadores e, mais tarde, do turismo. Marcamos esses lugares porque fazem parte da história da leitura, mas avisamos, escala por escala, quando a identificação é tradição antiga, hipótese moderna ou simples palpite.
Para os mitos de terra firme, assinalamos os santuários, cabos e ilhas que as próprias fontes mencionam. O mar não é enfeite: é o caminho por onde essas histórias viajaram.
As imagens do site são ilustrações em nanquim e aguada criadas especialmente para o Mar de Ulisses. Não reproduzem vasos, esculturas ou pinturas antigas, nem pretendem mostrar como os gregos imaginavam os deuses. São a nossa maneira de dar cor de maré, névoa e areia a cada registro.
Cada episódio é atribuído ao autor que o conta. Se não há fonte, não há episódio.
Quando um lugar, uma data ou uma versão é incerta, dizemos isso no próprio texto.
Os trechos antigos citados são versões nossas, sempre marcadas como “tradução nossa”.
Costumes populares gregos são descritos como tradição de famílias reais, não como curiosidade exótica.
Trabalhamos com edições críticas dos textos antigos e comparamos traduções publicadas para conferir sentidos difíceis; as citações que você lê aqui, porém, são sempre traduções nossas.
Se você conhece um mito que merece entrar no diário, ou encontrou um erro de rota, escreva para nós. Lemos todas as mensagens que chegam a bordo.
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